Psicologia no Desporto Motorizado

A psicologia é a ciência do comportamento e/ou atividade mental que procura descrever pensamentos, emoções, sensações, percepções e outros estados motivadores do comportamento humano. Tem interface com outras ciências mais biológicas, como a própria biologia e a química assim como com áreas mais aplicadas, seja a medicina, as ciências jurídicas, as ciências económicas. Esta ciência tem como objectivo compreender e descrever processos mentais e comportamentos, bem como explica-los e identificar as suas causas, e deste modo prever outros comportamentos, controlando assim as circunstancias em que estes ocorrem. Esta ciência tem várias vertentes: psicologia clínica, educacional, organizacional, forense e do desporto Freud, Wunt, Piaget e Watson foram e são os nomes mais influentes na psicologia.

Assim, o Desporto Motorizado não é excepção, é uma parte do treino, cada vez mais utilizado no mundo automóvel, que não faz parte das conhecidas capacidades físicas, dado que se trata de um treino mais mental, o treino psicológico. Pegando na definição de Capdevila (1987), o treino psicológico é o “conjunto de recursos que se treinam sistematicamente com o objectivo de adquirir habilidades psicológicas que permitam interagir de forma óptima em situações em situações desportivas”.Dentro das capacidades psicológicas devemos realçar a coragem, a agressividade, a tenacidade, a decisão, o foco na tarefa a realizar e a vontade em ganhar.Devemos ter em conta que nos desportos em que há risco ( exercícios perigosos) o sentimento de êxito tende frequentemente ter como base a superação do medo causado pela execução da ação desportiva em condições complicadas e difíceis.Assim, entre as capacidades psicológicas no motociclismo encontramos:

Coordenação: atletas devem ser muito coordenados, já que devem lograr uma interdependência entre o guiador, pedal das mudanças e travões com um nível de stress muito grande.

Concentração: deverão estar focalizados durante toda a competição.

Representação: formação das imagens captadas pelos analisadores.

Percepção: é muito importante ter altamente desenvolvida esta capacidade, já que deve sentir a moto como fazendo parte de si mesmo e o ambiente envolvente.

Agressividade: por ser um desporto de risco, é muito importante esta capacidade, é a que levará o atleta a alcançar o seu máximo rendimento.

Capacidade de memorização: conhecer o circuito, cada curva, as velocidades e mudanças utilizadas em cada zona, é crucial para um alto rendimento.

Assim, a psicologia do desporto, deve actuar nos atletas do seguinte modo, segundo nos explica o psicólogo desportivo Alberto Gomez: Em primeiro lugar realiza-se uma avaliação das habilidades psicológicas básicas do piloto entre qual se destacam: Motivação, concentração, grau de maturidade mental, autoconfiança.Com os dados obtidos começa-se o treino tomando como referencia a linha de base observada. Deve existir um equilíbrio em todas as habilidades, sendo muito importantes como ponto de partida: motivação, activação e focos de atenção. A forma de trabalho depende do caso e suas características. Alguns exemplos para a motivação pode ser a possibilidade do uso de um diário desportivo (relatórios), para a activação podem se utilizar medidas fisiológicas e cognitivas (monitor de ritmo cardíaco ou biofeedback) e para os focos de atenção pode se utilizar o treino em circuito com distintos focos e elementos de distracção.

Uma vez que o piloto atinge boas habilidades básicas, começa-se o trabalho em alto rendimento mental fundamentando o triângulo auto-confiança,auto-eficácia, auto-conhecimento e termina com o controlo na tomada de decisões.

  psi

 

Antes de sair da pista (pré-ação)

  • A disponibilidade psicológica para render, não é um estado mágico nem excecional. É um estado que se adquire. É o que geralmente chamamos “estar no ponto”.
  • Sempre que um piloto(atleta de elite), requere atuar no máximo das suas prestações, dar o melhor dentro das suas capacidades, ou entre palavras, render, é necessário que este esteja na melhor disposição para fazê-lo.
  • Um Piloto necessita de atuar no máximo das suas prestações sempre que passa a ação saindo para a pista, seja num treino privado ou livre, num teste, num sessão de qualificação, num warm-up e obviamente numa corrida. Evidentemente os objetivos que o piloto perseguirá em cada uma destas situações será distinto, mas não significa que o piloto não deva estar realmente a ponto para levar a cabo o seu trabalho da melhor maneira possível.
  • De um ponto de vista psicológico, “estar no ponto para passar à ação”, significa duas coisas essenciais: 1- Ter as ideias claras 2- Ter a tensão direita

 

1-Ter as ideias claras, faz-se referencia a ter identificado com precisão quais são os objetivos de trabalho a levar a cabo. Algo que parece fácil. No entanto, fazer um briefing técnico antes de sair da pista, não garante que o piloto se tenha estabelecido de uma maneira concreta e operativa aquilo que tentara levar a cabo na pista (rodar o motor, experimentar um set up, compara a resposta dos pneus, identificar uma referencia de volta ou travagem, buscar um ritmo ou inclusive uma volta rápida).

  • O estabelecimento de objetivos, dirige a atenção para o desafio de fazer algo concreto, diríamos que guia a sua orientação.

 

2-Ter a tensão direita, consiste em lograr que a ativação, tanto mental como muscular, seja a ideal para passar a ação. Obviamente, a tarefa de pilotar requere um elevado nível de ativação e para esse fim os pilotos tendem a aquecer os músculos mediante exercícios, normalmente suaves e alguns estiramentos. No entanto, na competição, a incerteza sobre a atuação e o resultado provoca ansiedade nos pilotos. Este é um fenómeno normal, mas e necessário ter em conta que essa mesma ansiedade pode provocar um desajuste por excesso de tensão. Esse excesso de tensão algumas vezes é sutil mas muitas vezes envolve a que o piloto perca a sensibilidade, deve de perceber claramente que as reações do veiculo, sofra rigidez (especialmente nos antebraços) deteriorando a fineza técnica da sua pilotagem.

Em pista (ação)

Dois conceitos chave:

  • 1-Contruir a concentração
  • 2-Recuperar a concentração

 

  • A concentração não e algo que se consiga de maneira automática quando um piloto necessita. Para sair à pista o piloto deve seguir uma ordem na sua preparação. A ordem estrutura se mediante uma série de rotinas preparatórias que permitem ao piloto “contruir a sua concentração” de maneira progressiva. Estas rotinas é o que denominamos de “Plano de Competição”. Aplica.-se especialmente no dia da corrida, contemplando aquelas coisas que o pilot faz e em que se centra em cada instante, “aqui e agora”, desde qe se levanta de manhã até que forma leva a cabo o procedimento de saído diante o semáforo.
  • Finalmente o semáforo apaga-se( ou o muro cai no motocross, ou o comissario levanta a mão nos ralis,…) e o piloto passa para a ação. Aí, deve-se perceber quais são as possibilidades de perder a concentração em plena ação. Perceber como é necessário aceitar que esta contingência pode suceder, e como estabelecer algumas estrategas básicas para recuperar a atenção dirigindo-a para os estímulos relevantes para levar a cabo a ação antes que possível. John McEnroe não era piloto, era tenista na década dos anos 80, mas estaremos de acordo que alguma coisa sabia acerca do que representa competir a baixa pressão. Uma das suas frases mais conhecidas:”… a questão não e se vais bloquear ou não, mas, quando bloqueares como vais lidar com isso…” Nisto consiste a essência de concentração a nível psicológico, em ser o suficiente flexível para recuperar a concentração em plena ação. No entanto, a eficácia dos pilotos para o mesmo devera ser excelente, porque a alta velocidade as coisas acontecem muito rápido.

 

 

 

Bibliografia:

http://www.entrenadorespersonalesvalencia.com/pdf/Preparacion%20Fisica%20y%20Motociclismo.pdf

http://www.monlau-competicion.com/contents/uploads/pdfs/20120629183738-cihmdmyb.pdf

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